Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

1º Trimestre de 2005

 

Título: O Fruto do Espírito — A plenitude de Cristo na vida do crente

Comentarista: Antonio Gilberto

 

 

Lição 9: Mansidão: O fruto da obediência

Data: 27 de fevereiro de 2005

 

TEXTO ÁUREO

 

Os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz(Sl 37.11).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O fruto da mansidão proporciona ao crente fartura de descanso e paz de espírito.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Mt 5.5

A mansidão qualifica o cristão para herdar a terra

 

 

Terça — 1Pe 3.4

A mansidão é preciosa diante de Deus

 

 

Quarta — Is 29.19

A mansidão resulta em repetido regozijo no Senhor

 

 

Quinta — Tg 3.13

A mansidão — uma característica do crente sábio

 

 

Sexta — Ef 4.26

Nem na ira o crente deve pecar

 

 

Sábado — 1Tm 6.11

O fruto da mansidão acompanha as virtudes cristãs

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Efésios 4.1-7.

 

1 — Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados,

2 — com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor,

3 — procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz:

4 — há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;

5 — um só Senhor, uma só fé, um só batismo;

6 — um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos.

7 — Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo.

 

PONTO DE CONTATO

 

Professor, no atual contexto de nosso país, sabemos o quanto a mansidão é necessária. Os homens sem Cristo, a cada dia que passa, estão mais ásperos, iracundos e violentos. Algumas vezes, encontramos pessoas na Igreja que proclamam em alta voz: “Eu sou convertido, porém meu ‘braço’ ou meu ‘dedo’ não”. Outros chegam a declarar que são tentados à violência. Muitos provocam contendas na Casa de Deus, são insubmissos a seus pastores, agressivos e rebeldes. Nesta lição, estudaremos mais uma das qualidades de Cristo relacionada ao revestimento do crente — a mansidão. Ore com o objetivo de o Espírito Santo infundir contrição, perdão e mansidão em sua classe. Repreenda, em nome de Jesus, toda contenda, peleja, e porfia entre os cristãos. OBS: Não se esqueça de ler na revista Ensinador Cristão, n° 21, págs. 33-35, ‘Seção Boas Idéias’, excelentes dicas para dinamizar a sua aula.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Explicar os três conceitos de mansidão;
  • Descrever as características de Jesus que exemplificam a sua mansidão;
  • Relacionar a mansidão a outras virtudes cristãs.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A mansidão é uma disposição do caráter que aceita, sem discutir, a verdade e a vontade de Deus. É uma postura dócil de completa submissão e aprendizado em Cristo (Mt 11.28). Essa virtude é fruto da atuação do Espírito Santo no crente. Não é a simples obediência, passividade ou indolência, mas a transformação moral segundo à obediência de Cristo (1Pe 1.2). Assim, agiam as igrejas do Novo Testamento (Rm 16.19; 2Co 7.15) e o próprio Cristo (Hb 5.8), que sendo perfeitamente homem, humilhou-se a si mesmo, e foi obediente até a morte (Fp 2.8). Segundo Paulo, aquele que não é capaz de ser manso e se submeter aos seus pastores não são digno da comunhão cristã (2Ts 3.14). As Escrituras também tratam da obediência aos pais e a consequência imediata de desobedecê-los (Dt 21.18; Pv 30.17).

Os resultados da sujeição mansa aos mandamentos divinos são exemplificados em Cristo, os da desobediência, em Adão (Rm 5.19). No grego, o termo obediência é formado por hypo , que significa debaixo de e traz a ideia de estar debaixo da vontade e do mandamento divino, e akouo , traduzido por ouvir, que fala da disposição mansa para obedecer a verdade vinda de cima.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Leve para a sala de aula uma figura de ovelha. Mostre para os alunos e pergunte-lhes se já tiveram a oportunidade de ver alguma sendo tosquiada. Em seguida, fale sobre este processo pelo qual todas as ovelhas passam. É importante mencionar que este animal permanece completamente mudo enquanto toda a sua lã é cortada. Escreva as seguintes perguntas no quadro e reflita com seus alunos acerca delas: Você permitiria ser “tosquiado” facilmente? Como você tem enfrentado “as tosquias da vida”? Você tem se submetido à vontade de Deus mansamente como uma ovelha perante seus tosquiadores? (Adaptado do livro Dinâmicas Criativas Para o Ensino Bíblico, CPAD).

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

É sobremodo instrutivo que na Bíblia o Espírito Santo seja simbolizado por uma pomba; Jesus, por um Cordeiro e seus seguidores, por ovelhas. Todas estas figuras falam da mansidão — o fruto espiritual da obediência.

O Espírito Santo desceu sobre Jesus, na hora do seu batismo no rio Jordão, em forma de pomba. João Batista, o precursor de Jesus, apresentou-o como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.35). Sua natureza submissa é resumida em Isaías 53.7: “Ele foi oprimido, mas não abriu a boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca”. Esta lição o ajudará a compreender a importância da mansidão como fruto do Espírito em nós.

 

I. O FRUTO DA MANSIDÃO NA BÍBLIA

 

1. Definição. A palavra mansidão (Gl 5.23), no original, é provavelmente a virtude mais difícil de ser biblicamente definida, porquanto trata-se de estado interior e não exterior. Os três conceitos principais acerca do fruto espiritual da mansidão são os seguintes:

a) Ser sempre submisso a vontade de Deus. É o que Jesus expressou em Mateus 11.29. Aqui nosso Senhor fez notória a sua mansidão e humildade. Estas duas qualidades são características de alguém que se submeteu totalmente à vontade de Deus.

b) Ser apto para aprender. É estar sempre aberto à aprendizagem, ou seja, não ser orgulhoso quanto ao que se sabe e o que precisa aprender (Tg 1.21).

c) Ser atencioso. Na maioria das vezes, o vocábulo significa demonstrar consideração, moderação, tranquilidade, atenção ou cuidado, ou ser paciente com os outros por amor como explanado em 1Co 13.1-7.

A mansidão segundo a Bíblia nada tem a ver com covardia e fraqueza. Na Bíblia, vemos esta característica relacionada com coragem, fortaleza e resolução. Moisés era homem muito manso, mas ao mesmo tempo estava pronto para agir nos momentos críticos.

 

II. A MANSIDÃO DIVINA

 

1. A Mansidão de Deus. A mansidão deve ser uma das qualidades do crente, porquanto o Espírito de Deus habita em seu interior. Deus é perfeitamente manso, mas também justo e que ira-se todos os dias (Sl 7.11). Como compreender isso? A ira de Deus é contra o pecado e o mal; não afeta seu amor e compaixão por nós. Deus é nosso exemplo perfeito de mansidão associada à firmeza.

2. A Mansidão de Jesus. Quando uma aldeia samaritana recusou-se dar as boas-vindas a Jesus, alguns discípulos perguntaram se Ele permitiria que eles clamassem por fogo do céu para destruir a aldeia. Sem demora, Jesus os repreendeu: “Vós não sabeis de que espírito sois. Porque o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las” (Lc 9.55,56).

A mansidão de Jesus também é descrita admiravelmente em João 13.5. Nesta passagem, Jesus na sua humildade lavou os pés dos discípulos, demonstrando como devemos servir. Ler os versículos 12-15.

A maior prova da mansidão de Jesus vemo-la nas horas que precederam sua crucificação:

a) Em sua submissão. Sua súplica foi de submissão total à vontade do Pai, embora esta significasse sofrimento indizível e morte (Mt 26.39).

b) Em seu consentimento. No momento da prisão, Jesus poderia chamar mais de doze legiões de anjos para salvá-lo, no entanto, voluntariamente Ele permitiu que os soldados o aprisionassem (Mt 26.50-54).

c) Em seu silêncio. Mesmo sendo acusado pelos principais sacerdotes e anciãos injustamente, Jesus não lhes respondeu (Mt 27.14).

O Cordeiro eterno de Deus, em espírito de amor e mansidão, entregou-se de boa vontade para fazer expiação pelos pecados de toda a humanidade. Ainda na cruz, pronunciou palavras de perdão aos que o crucificavam.

 

III. REFERÊNCIAS BÍBLICAS À MANSIDÃO

 

Na Bíblia, a mansidão está frequentemente associada a outros atributos ou em contraste com práticas erradas. Consideremos, portanto, alguns textos bíblicos e seus ensinos para nós.

1. Mansidão e benignidade. Em 2 Coríntios 10.1, o apóstolo Paulo fez um apelo aos coríntios “pela mansidão e benignidade de Cristo”. Benignidade, nesta passagem, diz respeito a suportar ofensas com paciência e sem ressentimento, por amor a Cristo. Mansidão refere-se à brandura na conduta ou atitude, e opõe-se à rispidez, à severidade, à violência ou a grosserias carnais; de natureza adâmica.

2. Mansidão e humildade. Estas duas virtudes estão intimamente ligadas: “Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor” (Ef 4.2). Humildade contrapõe-se ao orgulho. É uma atitude de submissão e respeito aos outros.

3. Mansidão e sabedoria. “Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre, pelo seu bom trato, as suas obras em mansidão de sabedoria” (Tg 3.13). Os sábios e inteligentes são mansos. Trata-se de um espírito de submissão e sempre inclinado à aprendizagem. Isto evidencia o fruto da mansidão.

4. Mansidão e salvação. “Porque o SENHOR se agrada do seu povo; ele adornará os mansos com a salvação” (Sl 149.4). Observamos neste texto sua harmonia com o Novo Testamento: “Pelo que, rejeitando toda imundícia e acúmulo de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar a vossa alma” (Tg 1.21). Neste texto, mansidão refere-se à inclinação para receber a Palavra de Deus com um coração submisso.

 

IV. EXEMPLOS DE MANSIDÃO NA BÍBLIA

 

Há muitos exemplos da prática do fruto da mansidão, ou de sua ausência, no Antigo e Novo Testamentos. Ao ler os acontecimentos bíblicos, reflita se os personagens envolvidos agiram mansamente. Se não, considere a possibilidade de que a história, em alguns casos, poderia ter sido diferente se esta virtude fosse manifestada. A seguir, examinaremos alguns exemplos.

1. Abraão. É um exemplo notável desta virtude aplicada na resolução de disputas: “Ora, não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque irmãos somos. Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; se escolheres a esquerda, irei para a direita; e, se a direita escolheres, eu irei para a esquerda” (Gn 13.8,9). À primeira vista, parece que Abraão está perdendo terreno por conceder a Ló o direito de escolher. Contudo, no fim da história o Senhor abençoou grandemente a Abraão. Isaque, filho de Abraão, seguiu o exemplo do pai e também foi abençoado pelo Senhor (veja Gn 26.20-26).

2. Moisés. O texto de Números 12.3 diz que “era o varão Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra”. Na passagem de Êxodo 15.24,25, o povo murmurou contra Moisés, que imediatamente voltou-se ao Senhor. Fato semelhante ocorreu em Êxodo 17.3,4. Em outra ocasião, o povo criticou Moisés em público, no entanto, Deus o defendeu e falou diretamente com Arão e Miriã em benefício de seu servo. Nestes textos, aprendemos que o Senhor sustenta os submissos e mansos. Em Números 16, encontramos uma rebelião do povo contra a liderança de Moisés. Uma vez mais ele demonstrou mansidão, e Deus o protegeu.

3. Paulo. Este servo de Deus escreveu muitas vezes acerca da importância de um espírito manso. Este fruto do Espírito manifestava-se regularmente na conduta de Paulo para com os que estavam sob seus cuidados, e em sua submissão à vontade do Senhor. Antes de se converter, era um furioso perseguidor dos cristãos. Todavia, depois de sua transformação, praticou e ensinou o evangelho de amor e compaixão, com mansidão e humildade.

 

V. RECOMPENSAS DA MANSIDÃO

 

Duas recompensas da mansidão são mencionadas em Salmos 37.11: “Mas os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz”. Uma está relacionada ao futuro: o fruto da mansidão contribui para que o crente possua o Reino de Deus em sua plena expressão e manifestação quando o Rei vier. A outra, ao presente: abundância de paz. Às vezes, os ímpios conseguem o que desejam mediante grande esforço e planejamento. Entretanto, no Reino de Deus, os santos herdam a bênção do Senhor partindo de mansidão segundo a Bíblia. Jesus confirmou este fato ao anunciar as diretrizes do seu Reino (Mt 5.5). Também somos recompensados por agir com mansidão em nossos relacionamentos interpessoais.

 

CONCLUSÃO

 

Pense nas ocasiões em que o fruto espiritual da mansidão teria feito a diferença em sua vida. Mantenha-se cheio do Espírito conforme Ef 5.18 e este fruto virá com abundância em sua vida. Então, você poderá submeter-se à vontade do Senhor, ser propenso a aprender, gentil e ponderado com os outros, e capaz de controlar o seu espírito.

 

VOCABULÁRIO

 

Expiação: Termo que se refere ao sacrifício cruento de Cristo para purificar completamente o homem de seus pecados.
Precursor: Que vai adiante; predecessor; que veio primeiro.
Ponderado: Sensato; ajuizado; prudente.
Rispidez: Qualidade de quem é rude; grosso; indelicado.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

VINE, E. W. (et al). Dicionário Vine: O significado exegético das palavras do Antigo e do Novo Testamento. CPAD, 2002.
LUCADO, Max. Simplesmente como Jesus. CPAD, 2002.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Quais são os três conceitos principais acerca do fruto da mansidão?

R. Ser sempre submisso à vontade de Deus, apto para aprender e atencioso.

 

2. Como podemos explicar a ira e a mansidão de Deus?

R. A ira de Deus é contra o pecado e o mal; não afeta seu amor e compaixão por nós.

 

3. Qual a relação existente entre mansidão e benignidade?

R. Benignidade é suportar as ofensas com paciência, enquanto mansidão é ter uma conduta branda.

 

4. Como Jesus demonstrou mansidão?

R. Em sua submissão, em seu consentimento, em seu silêncio que precederam sua crucificação. 5. Cite três personagens bíblicos que são exemplos de mansidão.

 

5. Cite três personagens bíblicos que são exemplos de mansidão.

R. Abraão, Moisés e Paulo.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Etimológico

 

Prautēs ou praotēs denota ‘mansidão’. Em seu uso na Escritura, no qual tem um significado mais extenso que nos escritos gregos seculares, não consiste só no comportamento exterior da pessoa; nem ainda em suas relações com o próximo; tampouco na sua mera disposição natural. Antes, é uma entretecida graça da alma; e cujos exercícios são primeira e primariamente para com Deus. É o temperamento de espírito no qual aceitamos seus procedimentos conosco como bons, e, portanto, sem disputar ou resistir [...]. Esta mansidão, porém, sendo em primeiro lugar uma mansidão perante Deus, também o é diante dos homens, até de homens maus, proveniente de um senso de que estes, com os insultos e danos que possam infligir, são permitidos e empregados por Ele para castigo e purificação dos eleitos. Deve ser entendido claramente que a mansidão manifestada pelo Senhor e recomendada para o crente é fruto de poder. A suposição comum é que quando o homem é manso, é porque ele não pode se ajudar; mas o Senhor era ‘manso’ porque Ele tinha os recursos infinitos de Deus à sua disposição” (VINE, E. W. (et al). Dicionário Vine: O significado exegético das palavras do Antigo e do Novo Testamento. CPAD, 2002).