Título: Davi: de pastor de ovelhas a rei de Israel — Fé e ação em meio às adversidades da vida
Comentarista: Marcos Tedesco
Lição 2: Davi: a excelência no servir
Data: 13 de abril de 2025
“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.” (Is 41.10).
Mesmo possuindo muitas qualidades, a presença divina na vida do crente é indispensável.
SEGUNDA — Cl 3.23,24
Excelência no servir
TERÇA — At 7.20-34
Forjado para uma grande missão
QUARTA — Sl 150
Louvemos ao Senhor
QUINTA — 2Cr 20.15-19
O Senhor peleja pelos seus
SEXTA — At 16.25
Hinos que tocavam os corações
SÁBADO — Rm 12.21
Vencer o mal com o bem
A temática de hoje versa sobre a composição curricular para uma determinada vocação. Podemos perceber na vida de Davi um leque de qualidades e competências que se dividem em vários âmbitos: espiritual, técnico, emocional e psicológico. Algumas dessas qualidades surgiram naturalmente na vida do jovem, já outras foram sendo alcançadas com o passar do tempo. Porém, todas elas foram importantes para que ele pudesse cumprir a sua vocação divina.
Conscientize seus alunos acerca da necessidade de nos prepararmos buscando o aperfeiçoamento das competências para as nossas vocações. Destaque que esse preparo abrange as dimensões acadêmicas, técnicas, sociais e espirituais. Por fim, mostre que esse aperfeiçoamento é necessário tanto para as atividades desenvolvidas na vida secular quanto em nossas igrejas. Em nossas vocações somos chamados, sempre, a dar o nosso melhor e assim glorificar a Deus com tudo o que fazemos.
Hoje somos convidados a uma importante reflexão acerca das qualidades necessárias para que possamos desenvolver a nossa vocação. Logo no começo da aula, peça aos alunos que apontem quais as competências destacadas ao longo da lição que compunham o currículo de Davi. Vá anotando-as em um painel ou quadro branco. Peça aos seus alunos que, acerca de cada item, mencionem a definição, a forma como Davi adquiriu tal competência e como a usou ao longo da vida.
Agora, peça que avaliem e apontem qual foi a competência mais importante. A resposta desejada deve ser o fato de “Deus ser com ele”. Finalmente inicie uma conversa com seus alunos orientando-os a falarem qual a diferença que a presença de Deus pode fazer em cada história de vida.
Para concluir essa dinâmica, convide-os a orarem declarando ao Senhor o desejo de que cada um possa ser cheio do Espírito Santo.
1 Samuel 16.19-23.
19 — E Saul enviou mensageiros a Jessé, dizendo: Envia-me Davi, teu filho, o que está com as ovelhas.
20 — Então, tomou Jessé um jumento carregado de pão, e um odre de vinho, e um cabrito e enviou-os a Saul pela mão de Davi, seu filho.
21 — Assim, Davi veio a Saul, e esteve perante ele, e o amou muito; e foi seu pajem de armas.
22 — Então, Saul mandou dizer a Jessé: Deixa estar Davi perante mim, pois achou graça a meus olhos.
23 — E sucedia que, quando o espírito mau, da parte de Deus, vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa e a tocava com a sua mão: então, Saul sentia alívio e se achava melhor, e o espírito mau se retirava dele.
INTRODUÇÃO
Ao pensarmos em Davi, somos levados a uma admiração praticamente inevitável diante de tantas qualidades. Em cada lugar por onde Davi passava, ali ficava a sua marca registrada: a excelência. Na vida desse homem, as competências adquiridas eram envoltas em sensibilidade, integridade, responsabilidade, dedicação, arte, e uma exemplar dependência divina.
I. UM CURRÍCULO NOTÁVEL PARA UM SERVIÇO EXCELENTE
1. Um pastor de ovelhas. Quando os servos de Saul apresentaram as credenciais do jovem (1Sm 16.18), as referências mencionadas chamaram bastante a atenção do rei: um músico admirável, valente, animado, guerreiro, ponderado nas palavras, educado e, o mais importante, o Senhor era com ele. O rei não perdera tempo e imediatamente mandou chamá-lo. Porém, antes de chegar à corte, Davi aprendeu muito com o rebanho de ovelhas. O mais novo de um total de 8 filhos, o jovem tinha no campo a oportunidade de aprender importantes lições acerca de cuidar, conduzir, prover, proteger, acolher e defender, uma grande escola para os tempos vindouros. As ovelhas, munidas de destacada fragilidade, dependiam do jovem pastor para um desenvolvimento dentro do esperado. Os perigos eram muitos e, por diversas vezes, o jovem arriscou sua vida na defesa das suas ovelhas (1Sm 17.34). Como pastor, pacientemente dedicou-se ao exercício de sua função e, depois de uma longa espera, receberia o fruto correspondente ao seu trabalho. Ser pastor era uma árdua tarefa e que exigia muita persistência. Davi era corajoso e dedicado no pastoreio, buscando dar sempre o seu melhor sem nunca reclamar (Jo 10.11). Sem dúvidas, uma época de grande aprendizado (Sl 23).
2. Corajoso e destemido. Davi também se destacava por ser corajoso e destemido. Se ele desse ouvidos ao que os demais falavam, jamais seria um vencedor. Como veremos na próxima lição, todos temiam o gigante e tinham motivos para não querer estar ali diante daquele grande e terrível homem. Porém, Davi era diferente dos demais. Quando seu irmão Eliabe o advertiu, ele não temeu as palavras (1Sm 17.26-30). Também não se desmotivou com o juízo que o rei Saul fizera a seu respeito (1Sm 17.31-33). Não se amedrontou com as palavras ameaçadoras de Golias (1Sm 17.41-51).
Davi temia somente ao Deus vivo (1Sm 17.36,37) e, por temer ao Senhor, ele honrava o povo de Deus. Davi demonstrava amor pela palavra do Senhor e tinha um forte desejo de crescer ainda mais em sua intimidade com Ele. Muito tempo antes de Samuel ir à casa do belemita ungir o caçula de Jessé, Deus já sabia o quão valoroso, corajoso e destemido era aquele jovem. Deus nos conhece antes mesmo do nosso nascimento e sabe o que passa em nossos corações. Devemos confiar em Deus e na sua fidelidade.
3. Um músico excelente. Davi foi um músico que louvava ao Senhor. Com sua harpa bem tocada, sua voz suave e suas letras profundas, foi muito usado nas mais diversas ocasiões. O autor de, pelo menos, 73 salmos, deixou letras que nos convidam ao louvor, à oração, à adoração, à reflexão, e à busca por mais proximidade com o nosso Deus.
Na musicalidade, o salmista expressava a sua fé, seus sentimentos e a sua profunda conexão com Deus. Os salmos de Davi nos levam a uma experiência de imersão nos textos bíblicos e seus contextos, bem como a uma vital reflexão acerca da nossa realidade. Eis alguns exemplos: em meio a episódios marcantes como as perseguições de Saul (34, 56, 59 e 142), celebrando a fidelidade de Deus (18), quando arrependido pelo seu pecado (51), em momentos de grandes provas (52, 54, 57 e 63), entre outros. Davi, escreveu também salmos messiânicos: falando da glória e dignidade do Filho do Homem (8), fazendo referência à ressureição de Cristo (16), abordando os sofrimentos de Cristo na crucificação (22), entre outros. Ao entoar hinos de louvor e adoração, Davi era usado por Deus para acalmar o coração de Saul. Quantas vezes somos envolvidos pelos hinos que, com suas melodias e letras, nos levam a uma crescente busca pela presença divina em nossas vidas.
“Davi era o mais novo de uma família de oito irmãos. Seu pai tinha um rebanho de ovelhas, que era cuidado pelo moço. Esse era um trabalho nada fácil. Ovelhas precisam de lugares abertos para se movimentar. Precisam de um pastor que as proteja, pois são animais sem defesa própria, como garras, porte físico ou dentes afiados. Elas emitem sons baixos para demonstrar determinados problemas, como quando um filhote se perde da mãe. Para que cresçam fortes, precisam de água de boa qualidade. Os pastos onde se alimentam devem ter sombra e comem até ervas que os bovinos não comem. O pastor tem que aguardar um ano para tosquiar as ovelhas e obter o resultado financeiro do seu trabalho. E o seu cuidado com elas será medido justamente nessa hora, pela qualidade da lã. Não possuem um sistema próprio de orientação e podem se perder com facilidade, além de se tornar alvo de predadores. Ser pastor não era nada fácil, pois é um trabalho no qual só se consegue ter sucesso com muita persistência. Mas não há registros de que Davi tenha ficado em algum momento insatisfeito com seu trabalho. Pelo texto vemos que Davi era um jovem corajoso e dedicado em seu trabalho. Ele o levava bastante a sério, de forma que arriscava até sua própria vida na defesa de suas ovelhas.” (COELHO, Alexandre. et al. Davi: As Vitórias e as Derrotas de um Homem de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p.13).
II. A EXCELÊNCIA DE DEUS EM NÓS MEDIANTE SUA PRESENÇA
1. A presença de Deus em nossas vidas. Algo notável na vida de Davi era o seu desejo pela presença de Deus em sua vida. O seu modo de pensar, as suas atitudes e o seu respeito pelo Eterno refletiam essa realidade. A bússola de Davi não era o seu “eu”, nem as percepções que os demais tinham a seu respeito. O que dirigia a sua vida era o seu profundo amor e temor ao Senhor. Ao longo da vida, muitas foram as oportunidades para fazer as coisas de forma diferente do que acontecera (1Sm 24), com atitudes que seriam amplamente relevadas por aqueles que o acompanhavam. Mas Davi soube depender e obedecer aos desígnios divinos.
A busca pela presença de Deus em nossas vidas é um anseio profundo e inerente ao ser humano. As histórias bíblicas nos revelam muitos homens e mulheres que buscaram ardentemente um relacionamento mais profundo com Deus e, em decorrência dessa prática, tiveram grandes experiências.
O cristão deve buscar de forma intensa a presença de Deus em sua caminhada. Assim, sua vida terá um sentido mais elevado e o seu coração estará em sintonia com o Criador, permitindo que viva intensamente para a glória de Deus. Mas, também necessitamos dessa conexão para que seja possível enfrentar as dificuldades do nosso cotidiano. Jovem, busque incansavelmente a presença de Deus e seja uma bênção por onde passares.
2. O cristão e a sua espiritualidade. Quando o jovem cristão se permite ser conduzido pelo Espírito de Deus, o seu coração o impele a, progressivamente, buscar uma crescente intimidade com o seu Senhor. É nessa dinâmica que a espiritualidade vai se desenvolvendo. Na caminhada cristã, devemos a todo tempo buscar uma vida que reflita os ensinamentos deixados por Jesus. Mas, para que isso ocorra, precisamos ter uma disciplina espiritual dedicada por meio da oração, do jejum, da leitura e meditação bíblica, da adoração, do serviço cristão, do evangelismo e discipulado, entre outras possibilidades. No entanto, atualmente muitas pessoas são levadas para uma superficialidade onde os valores se dissipam, os princípios são ignorados, o que é correto é negligenciado enquanto o relativo e o efêmero são colocados em evidência. Mas essa não pode ser a realidade dos que andam na luz. O cristão, por meio da prática das disciplinas espirituais, sai da superficialidade de um mundo pecaminoso e é impulsionado a buscar bases sólidas em sua jornada de fé.
3. Conduzido pelo Espírito. O texto bíblico nos revela que o Espírito do Senhor era com Davi (1Sm 16.13), da mesma forma que foi com Josué (Nm 27.18) e Saul (1Sm 10.10). Ao longo do Antigo Testamento diversas vezes o Espírito Santo é mencionado (Gn 1.2) e, como Deus, sempre está presente. Nesse período, o Espírito habitava nas pessoas para o desenvolvimento de ações específicas no meio do povo de Deus. Já a partir do Novo Testamento, os cristãos recebem a habitação permanente do Espírito (1Co 3.16,17). Na Bíblia lemos: enchei-vos do Espírito Santo (Ef 5.18). O “encher” vai além de uma experiência durante o culto e nos leva a perceber uma amplitude de vida, de obra, de prioridades e de sentidos. A presença do Espírito em nossas vidas nos leva a um modo de viver diferente (Gl 5.25). Como nos é preciosa essa verdade.
III. A EXCELÊNCIA DE DEUS PARA CUMPRIR UMA DIFÍCIL MISSÃO
1. Um rei atormentado. Saul foi escolhido e ungido por Deus para ser o primeiro rei de Israel. Guiado pelo Espírito do Senhor, conseguiu fazer um bom início de reinado sendo admirado por muitos. Temente a Deus, chegou a profetizar (1Sm 10.11) e constantemente consultava o profeta Samuel. Essa realidade durou por pouco tempo, logo o rei negligenciou a vontade de Deus, desrespeitou a lei de Moisés e passou a ter decisões infelizes e injustas para com o povo. Mediante tal comportamento, a rejeição divina não tardou (1Sm 15.10-29).
Assim que o Espírito do Senhor deixou Saul, um espírito mau começou a atormentá-lo (1Sm 16.14), deixando-o inapto para decisões sensatas e violento para os que estavam próximos a ele. Até os seus servos estavam impressionados com a ação maligna na vida do rei (1Sm 16.15) e sugeriram trazer um músico para que o monarca se acalmasse e o espírito mal o deixasse em paz. Nesse contexto de tormenta e fúria, Davi é introduzido na corte de Saul. Enquanto tocava sua harpa e entoava belos hinos, o jovem foi-se familiarizando com a rotina dos mais altos escalões e, como bom aluno, foi sendo preparado para as grandes responsabilidades que viria a ter um dia.
2. Um reino em apuros. Quando Saul deixou de obedecer ao Senhor, o Espírito se retirou de sua vida e uma sucessão de falhas e atrocidades foram acontecendo. Se Deus já não era mais o Senhor daquele monarca, o povo não mais seria “bem-aventurado” e “feliz”. Sem Deus, o sofrimento é uma triste realidade. A imagem do líder exerce uma forte influência para com a vida dos liderados: se o rei é ímpio, os súditos sofrem; se o líder é imprudente, os liderados amargam as privações. Com a ruína de Saul e a ascensão de Davi, um novo tempo chegava para Israel, o povo se alegrava e era edificado ao ver, na prática, a fé, a devoção, a fidelidade e o temor a Deus. Como resultado dessa condição, Israel alcançaria em breve um dos períodos mais prósperos de sua história.
3. Qual a nossa “difícil” missão? O cristão enfrenta grandes desafios. O primeiro deles é pelo simples fato de que nós cristãos, andamos na contramão desse mundo. A cosmovisão, o jeito de agir, os valores defendidos, os relacionamentos, os valores sociais e morais, entre tantos outros são, por essência, opostos ao que nós acreditamos. Agimos assim, pois do coração procedem as saídas da vida (Pv 4.23), e o coração do jovem cristão reflete Jesus!
O segundo desafio está ligado à nossa grande missão; anunciar as boas novas de salvação (Mc 16.15) para um mundo que está imerso em caos e sofrimento. Entre os sofrimentos enfrentados podemos apontar: violência, dificuldades econômicas e social, o hedonismo, a individualidade, o relativismo moral e religioso, entre tantos outros. A solidão assola multidões que vivem em cidades superpovoadas por pessoas que não conseguem mais se olhar nos olhos.
Professor(a), peça que um aluno(a) leia 1 Samuel 16.14. Depois pergunte: “O que significa: 'O Espírito do Senhor se retirou de Saul'?”. Ouça os alunos e depois explique que “ao se rebelar contra os planos de Deus e seus propósitos, Saul se abriu para a influência demoníaca (veja 15.23). Deus está no completo controle, e os maus espíritos podem operar apenas quando Deus permite. Ele pode até mesmo usá-los para realizar os seus propósitos, que às vezes incluem testar e julgar o seu povo (Jz 9.23; 1Rs 22.19-23; veja também Lc 11.26; Rm 1.21-32; 2Ts 2.8-12).” (Bíblia de Estudo Pentecostal Para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, p.357).
CONCLUSÃO
Davi possuía um currículo admirável: um músico virtuoso, valente, guerreiro, ponderado nas palavras e educado. Características que despertariam o interesse de muitos “recrutadores”. Mas, há um detalhe que fez toda a diferença nesse belíssimo currículo: o Senhor era com ele.
Sem Deus nada poderemos fazer e nossa existência não terá sentido. Seja conduzido pelo Espírito Santo e você será uma bênção por onde quer que passe.
1. Quais habilidades faziam parte do currículo de Davi?
Davi era músico, valente, animado, guerreiro, ponderado nas palavras e o mais importante: o Senhor era com ele.
2. Aponte alguns destaques dos salmos messiânicos escritos por Davi.
Os salmos messiânicos falam da glória e dignidade do Filho do Homem (8), fazem referência à ressureição de Cristo (16). abordam os sofrimentos de Cristo na crucificação (22).
3. Mencione algumas das disciplinas espirituais que devem fazer parte da vida do cristão.
Oração, jejum, leitura e meditação bíblica, adoração, serviço cristão, entre outras possibilidades.
4. Como foi o início do reinado de Saul?
Escolhido e ungido por Deus para ser o primeiro rei de Israel. Saul foi guiado pelo Espírito do Senhor, conseguiu fazer um bom início de reinado e foi admirado por muitos. Foi temente a Deus, chegou a profetizar e constantemente consultava o profeta Samuel.
5. Quais os desafios do jovem cristão na atualidade?
A cosmovisão, o jeito de agir, os valores defendidos, os relacionamentos, os valores sociais e morais, entre tantos outros são, por essência, opostos ao que nós acreditamos. Também devemos anunciar as boas novas de salvação para um mundo que está imerso em caos e sofrimento.