Título: Davi: de pastor de ovelhas a rei de Israel — Fé e ação em meio às adversidades da vida
Comentarista: Marcos Tedesco
Lição 3: Davi: o matador de gigante
Data: 20 abril de 2025
“Não há rei que se salve com a grandeza de um exército, nem o homem valente se livra pela muita força.” (Sl 33.16).
Davi confiava em Deus e, frente aos insultos de Golias, matou o gigante. Na vida cristã também temos os nossos desafios que venceremos mediante a fé no Senhor.
SEGUNDA — Sl 71.5
A esperança do Cristão
TERÇA — Sl 62.1
A confiança no Senhor
QUARTA — Js 1.6-9
Deus nos encoraja diante das adversidades
QUINTA — Fp 4.6
Não andeis ansiosos
SEXTA — Sl 119.9
A conduta do jovem cristão
SÁBADO — 2Co 12.9,10
Em Deus somos fortalecidos
Quem não quer ter uma vida vitoriosa? Esse é um desejo inerente à vida humana. Uma questão que deve ser destacada e contextualizada para os seus alunos é a seguinte: qual a definição de “vida vitoriosa” segundo eles?
Para muitos, a vida vitoriosa é pautada pelos padrões humanos e consiste em riquezas, conforto e conquistas de reconhecimento pessoal. São padrões efêmeros e que não refletem os valores espirituais que devemos cultivar. Pergunte aos seus alunos qual seria a definição de “vida vitoriosa” para eles e que esteja em conformidade com a Palavra de Deus.
Ao entendermos que a vida vitoriosa é aquela que glorifica ao Senhor, compreendemos que as riquezas, o conforto e as conquistas não são proibidos, mas o que motiva as pessoas a buscarem essas “vitórias” é o que deve ser refletido e irá determinar se é algo conforme a vontade do Senhor. Se desejar, aponte exemplos práticos acerca dessa questão. Boa aula.
Professor(a), reproduzida em uma cartolina o gráfico abaixo (extraído da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, CPAD, p.440). Leve o mesmo para a classe e fixe-o em um lugar que seja visível a todos. Ele poderá ser utilizado durante todo o trimestre. Utilizando o gráfico, explique aos seus alunos que embora Davi fosse um homem segundo o coração de Deus (1Sm 13.14), ele enfrentou muitas tribulações. Teve que derrubar muitos “gigantes”. Como homem, vivenciou experiências boas e ruins, mas sempre manteve uma fé inabalável no Senhor dos Exércitos.
1 Samuel 17.13-16,20,23,24.
13 — Foram-se os três filhos mais velhos de Jessé e seguiram a Saul à guerra; e eram os nomes de seus três filhos, que foram à guerra, Eliabe, o primogênito, e o segundo, Abinadabe, e o terceiro, Samá.
14 — E Davi era o menor; e os três maiores seguiram a Saul.
15 — Davi, porém, ia e voltava de Saul, para apascentar as ovelhas de seu pai, em Belém.
16 — Chegava-se, pois, o filisteu pela manhã e à tarde; e apresentou-se por quarenta dias.
20 — Davi, então, se levantou pela manhã, bem cedo, e deixou as ovelhas a um guarda, e carregou-se, e partiu, como Jessé lhe ordenara; e chegou ao lugar dos carros, quando já o arraial saia em ordem de batalha, e a gritos, chamavam à peleja.
23 — E, estando ele ainda falando com eles, eis que vinha subindo do exército dos filisteus o homem guerreiro, cujo nome era Golias, o filisteu de Gate, e falou conforme aquelas palavras, e Davi as ouviu.
24 — Porém todos os homens de Israel, vendo aquele homem, fugiam de diante dele, e temiam grandemente.
INTRODUÇÃO
O desafio de Davi com relação ao gigante filisteu representa a luta espiritual travada entre o jovem cristão e o mundo, a carne e o inimigo de nossas vidas. Para alcançarmos a tão almejada vitória, devemos seguir o exemplo de Davi resistindo ao inimigo e vencê-lo em Cristo Jesus.
I. TEMPOS DIFÍCEIS
1. Cercados por todos os lados. Os dias que antecederam a batalha entre Davi e Golias foram marcados por provocações. O exército dos filisteus se reunia diariamente para provocar o exército israelita. Uma forma muito comum de disputa utilizada naqueles dias era: os exércitos ficavam frente a frente enquanto um valente de cada lado se posicionava para uma disputa solo. O vencedor dava ao seu exército o sabor da vitória, ao perdedor, a humilhação, as baixas humanas e as materiais.
Ao ouvir os gritos de Golias no vale de Elá, os israelitas tiveram muito medo (1Sm 17.11). Não havia nenhum guerreiro disposto a enfrentar o gigante. A derrota se desenhava de forma constrangedora.
2. Quem era Golias? Conhecido como o “guerreiro de Gate”, Golias tinha uma altura aproximada de três metros, uma armadura extremamente pesada, um imponente capacete de bronze e uma lança que parecia “o eixo de um tear” (1Sm 17.5-7). Era a imagem da força humana, desejada pelos mais habilidosos exércitos da época, o símbolo da força que repousa sobre competências humanas. Porém, a Golias faltava algo: o Deus Soberano não era com ele.
Golias diariamente perseguia e zombava das situações envolvendo o povo de Israel. Seu objetivo era desmoralizar Israel e assim vencer uma batalha célebre. Foram 40 dias de insultos, provocações e muito medo entre os israelitas que, diariamente, eram lembrados da sua grande fragilidade. Golias chamava-os para o embate, mas todos estavam conscientes de suas dificuldades frente às provocações do gigante. Mais do que a confiança em sua própria força, faltava a Golias o entendimento de que a força verdadeira vem do Senhor (Sl 18.32). Quando confiamos em Deus, jamais seremos envergonhados (Rm 10.11).
3. A bênção e a maldição. Israel passava por tempos difíceis, o rei já não era mais alguém motivador, o povo já não tinha a esperança de outrora. Mas, qual o motivo de tudo isso? Longe de um fato ou outro, a verdadeira causa de tal situação repousava nas más escolhas. Saul escolheu não mais obedecer a Deus, o povo escolheu as referências cananeias, aqueles guerreiros escolheram confiar no efêmero e perderam as esperanças. Somos frutos de nossas decisões. Cada escolha é também uma renúncia. Ao escolhermos o padrão humano, negligenciamos o divino. Cada escolha cobra o seu preço, ao nos aproximarmos de Deus, somos agraciados com suas bênçãos. Isso é presença.
“Os filisteus escolheram Golias de Gate que, provavelmente, descendia dos enaquins, já que estes fixaram residência nas cidades dos filisteus após serem expulsos de Hebrom por Josué (Js 11.21,22). Israel, contudo, não achava alguém que representasse a nação e também Yahweh. Finalmente Davi entrou em cena. Havia estado em Belém para ajudar o pai idoso e servir-lhe de emissário em tempos oportunos (1Sm 17.15). [...] Embora Davi tenha sido enviado para a frente de batalha a fim de levar suprimento aos seus irmãos, ficou tão ofendido com as maldições proferidas pelo filisteu que ele mesmo se fez voluntário para duelar com Golias. Tomou consigo uma funda e feriu o gigante em nome e pela honra de Yahweh (1Sm 17.45-50). Davi, portanto, mostrou desde o início que seu zelo era santo, como devia ser o zelo do ungido do Senhor. Ele era o rei-guerreiro que se juntou a Deus contra todos que desafiassem a soberania de Yahweh.” (MERRILL, Eugene. História de Israel no Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, pp.223,224).
II. ALGUÉM QUE SABIA EM QUEM CONFIAR
1. Davi não aceita o insulto. O pai de Davi o enviou ao campo de batalha com a finalidade de levar alimento aos irmãos. Uma simples tarefa, algo fácil de se fazer. Cumprida a missão, bastava voltar para casa e seguir com sua rotina à frente das ovelhas.
O jovem era diferente dos demais, ele sempre ia além em suas missões e dava sempre o seu melhor. As palavras afrontosas do gigante de Gate o deixaram incomodado: como alguém poderia dizer tais coisas? Golias não apenas afrontava o exército que ali estava, mas ao Deus Todo-Poderoso. Saul e seus soldados estavam amedrontados diante de tais ameaças, pois confiavam na força humana. Já Davi, que confiava em Deus, começou a perguntar a todos quem iria enfrentar esse grande desafio (1Sm 17.25,26).
Sem esmorecer, Davi apresentou-se para aceitar tal missão. Diante do olhar perplexo de todos, foi levado até o rei que tentou desencorajá-lo. Com autoridade na fala, o jovem pastor de ovelhas fez menção de dois fatos notáveis: aprendeu a lutar defendendo as ovelhas contra os predadores: e o Senhor com ele estaria. Quantos ensinamentos podemos aprender a partir dessa fala? Deus nos capacita na caminhada e, ao vivermos segundo a sua vontade, está pelejando conosco (2Cr 20.15,16). A vitória é certa! Saul, mesmo relutante, permitiu que Davi enfrentasse o gigante.
2. O gigante é derrotado. O rei Saul, mesmo relutante, aceitou a proposta de Davi. No entanto, quis que o jovem se moldasse ao seu padrão, e isso não deu muito certo. Ao insistir que Davi usasse a sua armadura (o que aos olhos humanos seria uma honra), demostrou mais uma vez a sua falta de confiança em Deus.
Davi, ao vestir a armadura do rei, a sentiu pesada e de difícil mobilidade. Anos mais tarde, tais recursos seriam muito utilizados por Davi, porém naquele momento, não faziam parte da sua vida. Diante dos desafios, Deus nos usará do jeito que Ele quiser: basta seguirmos as suas orientações e caminharmos conforme a sua vontade (Sl 25.4,5).
Davi tirou aquela pesada armadura, foi a um córrego, pegou cinco pequenas pedras e, com sua funda, foi ao encontro de Golias (1Sm 17.40). Tal visão deixou o guerreiro ofendido, achou que era uma provocação: diante dele um garoto com pedras e vestido com roupas cotidianas de um pastor de ovelhas. As ofensas proferidas então pelo gigante não assustaram Davi, mas abriram as portas para que a sua fé no Deus de Israel fosse ainda mais vivida. Convicto, declarou sua confiança “no nome do Senhor dos exércitos, o Deus dos exércitos de Israel” (1Sm 17.45). O desfecho dessa história é conhecido por todos nós: o Senhor entregou o gigante em suas mãos. Golias foi derrubado com uma pedra certeira na sua testa, teve a cabeça cortada com a sua própria espada e os inimigos foram derrotados. Naquele dia, os israelitas e os filisteus puderam conhecer mais sobre o poder de Deus.
3. A confiança em Deus. A confiança de Davi no poder de Deus fez toda a diferença na luta contra Golias e o exército filisteu. O filho de Jessé sabia de suas fragilidades, mas tinha total confiança de que Deus era com ele, evidenciando a profundidade da sua fé e a qualidade do seu relacionamento com o Senhor. Em nossa trajetória também encontramos diversos “Golias”. Há momentos em que as adversidades se agigantam e parecem que jamais serão dissipadas. Não desanime, assim como o Senhor foi com Davi, também será com você, basta confiar nEle e, fielmente, buscar a sua presença em sua vida.
“Ele perguntou por Golias, querendo saber quem ele era e o que realmente tinha contra Israel. Ele também queria saber qual era a recompensa que estava sendo oferecida ao homem que matasse Golias. Enquanto Eliabe fez suas acusações contra Davi por perguntar tais coisas, Davi ignorou. É provável que Eliabe tenha ficado na defensiva, talvez até mesmo condenado por seu próprio medo (veja 1Sm 17.24). Davi continuou sondando: ‘Só mais uma pergunta’, ele disse: ‘não há uma razão (ou causa) para ele inquirir estas coisas?’. Davi então se voltou para os outros e perguntou novamente: ‘Que farão àquele homem que ferir a este filisteu e tirar a afronta de sobre Israel?’. Aqui vemos a vontade de Davi em ter uma compreensão de como os outros perceberam a situação.” (SEDLER, Michael. Quando Falar na Hora Certa. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, pp.33,36).
III. O JOVEM CRISTÃO E SUA LUTA CONTRA O MUNDO
1. Relativismo moral e religioso. Um dos “Golias” dos dias atuais é o relativismo, principalmente nos âmbitos moral e religioso. O relativismo se refere a um sistema em que as verdades absolutas são questionadas e desvalorizadas, ou seja, estão sempre sujeitas aos pontos de vista de quem as observa. Sendo assim, não há certo ou errado. É a defesa do relativo e do quanto determinado sujeito se identifica ou não com uma causa.
Nas escolas e faculdades, nas mídias e em todos os lugares onde há a interação entre pessoas, há uma forte mobilização para impor a ideia de que não existem verdades absolutas, pois tudo que pode ser verdade para alguém, pode não ser para outrem. Os discursos proferidos nesse sentido, em um primeiro momento são carregados de frases de efeito, defesas superficiais e usados de uma forma que nem sempre refletem a realidade. O cristão deve se opor ao relativismo (2Tm 3.1-5) e buscar um posicionamento fortalecido em seu relacionamento com Deus, baseado no estudo bíblico (Sl 119.160) e em uma apreciação correta dos fatos e das evidências acerca do conceito apreciado. Em nossa vida cristã, somos amparados por verdades absolutas que nos confortam e nos edificam (Jo 17.17; Jo 14.6). Cremos nisso!
2. Os perigos do mundo virtual. Há muito tempo a internet deixou de ser um recurso voltado para algumas atividades profissionais e acadêmicas e passou a fazer parte da vida de todos nós. Entre suas muitas funcionalidades, destacamos a possibilidade de interagir com muitas pessoas e darmos mais agilidade e eficácia a projetos pessoais. Porém, a partir dessas mudanças, os perigos do mundo virtual começaram também a fazer parte da vida comum de forma nociva revelando a fragilidade humana e promovendo insegurança, frustrações, rupturas de comunhão e o insucesso. A privacidade abriu espaço para as superexposições. Tudo é compartilhado, embora, poucos são os conteúdos legítimos diante de tantos filtros, trends, e fotos pinçadas de álbuns já sem “memória” disponíveis. Entre stories, reels e shorts que freneticamente deslizam nas telas, vidas estão sendo enfraquecidas e sonhos sendo frustrados.
Além dos prejuízos cognitivos, há também sérios problemas relativos aos conteúdos compartilhados: a multiplicação das fake news (notícias falsas), as perseguições e ofensas, a relativização de tudo, as imagens nocivas (desde as idiotizações até às polêmicas e pornografia), enfim, uma realidade que não deve fazer parte da vida do jovem cristão.
3. Banalização da sexualidade. A sexualidade faz parte da natureza humana e foi, como todas as coisas, criada por Deus. Porém, infelizmente, nos dias atuais, tem sido banalizada e distorcida trazendo graves consequências. A nossa sociedade está cada vez mais sexualizada, levando as pessoas a verem no sexo e na busca por prazer, o sentido das suas vidas.
Aquilo criado para um fim tão nobre (Gn 2.24) foi distorcido e tem levado muitos à ruína. Há um movimento coletivo impondo uma pauta que explora precocemente a sexualidade, levando as novas gerações a uma vida sexual pecaminosa e danosa (1Co 6.18).
Na vida cristã, para verdadeiramente usufruirmos essa bênção que Deus dá, devemos: fugir dessas provocações (1Ts 5.22), buscar no tempo certo um relacionamento conjugal dirigido pelo Senhor (Pv 18.22) e viver uma vida de santificação (1Ts 4.3).
CONCLUSÃO
Ao longo de nossas vidas enfrentaremos muitos desafios, os nossos “Golias”. Como Davi, se estivermos confiantes no Senhor e andarmos nos seus caminhos, certamente seremos abençoados e venceremos as batalhas. Não importa qual a dimensão dos nossos problemas, nossas capacidades humanas são insuficientes contra as armadilhas do nosso inimigo. Mas ao deixarmos o Espírito nos conduzir, com certeza glorificaremos a Deus com as nossas vidas e celebraremos com júbilo.
DEVER, Mark. A Mensagem do Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
1. Qual foi a reação dos israelitas diante das ameaças de Golias?
Ao ouvir os gritos de Golias no vale de Elá, os israelitas tiveram muito medo e nenhum guerreiro estava disposto a enfrentar o gigante.
2. Qual fator foi decisivo para que Davi se voluntariasse para lutar contra Golias?
A sua confiança em Deus.
3. Quais os dois fatos mencionados por Davi para mudar a opinião do rei?
Aprendeu a lutar defendendo as ovelhas contra os predadores: e o Senhor com ele estaria.
4. Quais os perigos do mundo virtual?
De forma nociva revelou a fragilidade humana e promovendo insegurança, frustrações, rupturas de comunhão e o insucesso afastando assim o homem do que era certo.
5. Aponte as posturas ideais para vencermos diante das ameaças da banalização da sexualidade.
Fugir dessas provocações, buscar no tempo certo um relacionamento conjugal dirigido pelo Senhor, e viver uma vida de santificação.