Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

 

 

1º Trimestre de 2005

 

Título: O Fruto do Espírito — A plenitude de Cristo na vida do crente

Comentarista: Antonio Gilberto

 

 

Lição 8: Fidelidade: O fruto da confiança

Data: 20 de fevereiro de 2005

 

TEXTO ÁUREO

 

Não defraudando; antes mostrando toda a boa lealdade, para que, em tudo, sejam ornamento da doutrina de Deus, nosso Salvador(Tt 2.10).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O fruto da fidelidade é imprescindível ao relacionamento do cristão com Deus, consigo mesmo e com o próximo.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — Tt 2.10

A fidelidade evidencia a doutrina de Deus

 

 

Terça — Ap 13.10

A fidelidade coopera com a paciência

 

 

Quarta — Pv 3.3,4

A fidelidade propicia ao crente a graça de Deus

 

 

Quinta — Gl 5.22

Quem vive e anda no Espírito evidencia fidelidade

 

 

Sexta — 2Cr 19.9

O fruto da fidelidade deve ser demonstrado na vida de cada crente

 

 

Sábado — 2Cr 31.18

O fruto da fidelidade conduz o cristão à santidade

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Hebreus 10.35-39.

 

35 — Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão.

36 — Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa.

37 — Porque ainda um poucochinho de tempo, e o que há de vir virá e não tardará.

38 — Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele.

39 — Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma.

 

PONTO DE CONTATO

 

Professor, foi possível realizar com a classe a visita proposta na lição anterior? Como foi o resultado? Seus alunos ficaram motivados? Estabeleceram uma comissão permanente de visitas? Todos participaram? Os participantes com certeza se regozijaram no Senhor pela demonstração da bondade e benignidade de Deus. Comunique à classe o resultado da visita. Permita que um dos alunos fale acerca de sua experiência. Aqueles que não cooperaram com a tarefa provavelmente preferem realizar outra atividade. Procure descobri-la a fim de Integrá-los às próximas programações da turma. Continue intercedendo em favor de seus alunos.

 

OBJETIVOS

 

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

  • Explanar os seis aspectos da fé.
  • Definir o termo fidelidade no Antigo e Novo Testamento.
  • Descrever os princípios da fidelidade.

 

SÍNTESE TEXTUAL

 

A palavra “fé”, do original pistis, aparece em cerca de 232 versículos do Novo Testamento. Hebreus, ao lado de Romanos (39 vezes), é uma das epístolas que mais utiliza o termo, totalizando trinta ocorrências, das quais, 23 referências diretas e uma indireta ocorrem somente no capítulo onze. Tiago usa o vocábulo dezesseis vezes e Gálatas dezenove. A “fé” em Romanos diz respeito ao recebimento do Evangelho; em Gálatas, opõe-se à lei mosaica e, em Tiago, é associada às obras. Entretanto, para o escritor aos Hebreus, esta virtude é primeiramente prática, isto é, é exemplificada pelos personagens do Antigo Testamento. Hebreus 6.12 resume este fato: “para que vos não façais negligentes, mas sejais imitadores dos que, pela fé e paciência, herdam as promessas”. Dentro dos reais contextos da comunidade dos cristãos hebreus (retrocesso na Fé cristocêntrica e desânimo em consequência das perseguições), manter-se confiante (v.35), paciente (v.36), fiel (v.38) e firme (v.39) conforme àqueles que suportaram as mesmas aflições, não era apenas um estímulo, mas uma necessidade. Portanto, a fé em Hebreus pode ser compreendida como fidelidade apesar da adversidade, perseverança no Evangelho e paciência até a vinda de Cristo.

 

ORIENTAÇÃO DIDÁTICA

 

Leve para a sala de aula folhas de papel e caneta ou lápis. Distribua para os alunos e peca-lhes para responderem o teste de fidelidade abaixo. Depois de responderem, distribua as folhas entre os alunos para que cada um interceda pelas necessidades de seu irmão. As folhas não devem ser assinadas.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

Fidelidade é a qualidade de ser cheio de fé, a qual é o grande tema da Bíblia. Tal fé expressa-se no cristão como fidelidade. Fé e fidelidade são palavras cognatas. A fé aparece pela primeira vez em Gênesis 4, quando Caim e Abel apresentaram suas ofertas a Deus. O Senhor aceitou a oferta deste e rejeitou a daquele. A razão não nos é revelada ali; no entanto, em Hebreus verificamos que a fé de Abel em Deus, fez a diferença (Hb 11.4).

Nesta lição, estudaremos sobre os diferentes aspectos da fé, incluindo o fruto da fidelidade. Esta virtude baseia-se no nosso crer em Deus e na confiança profunda e permanente de que Ele nos sustentará em todas as circunstâncias da vida. Essa fé é demonstrada na santidade do caráter e de vida cristã dos filhos de Deus.

 

I. OS SIGNIFICADOS BÍBLICOS DA FÉ

 

Tratando-se do fruto do Espírito, há quem prefira usar o termo fé ao invés de fidelidade. Todavia, veremos, a seguir, que esta é a tradução mais precisa daquele. Num sentido mais amplo, a fé consiste na crença inabalável em Deus e no Evangelho, e, portanto, corresponde ao tronco, e não, ao fruto. O fruto do Espírito é proposto como qualidade ou atributo; fidelidade é a característica de quem possui fé.

Antes de estudarmos a importância desta virtude, precisamos entender o significado da palavra fé. Examinemos, portanto, os seis aspectos da fé.

1. A fé natural. Todo homem nasce com uma fé natural, relacionada simplesmente ao raciocínio humano. Por exemplo: quando embarcamos em um avião, precisamos acreditar que o avião está em condições mecânicas suficientes para o vôo, e que o piloto possui o treinamento e a aptidão necessária para conduzir o avião. Exercemos esta fé em nosso cotidiano de variadas formas. Sendo assim, podemos crer em Deus, sem, contudo, relacionarmo-nos com Ele.

2. A fé salvífica. É concedida a nós quando ouvimos a Palavra de Deus ungida pelo Espírito Santo (Rm 10.17; Ef 2.8,9). Diante disso, fundamentados nesta fé, devemos confessar nossos pecados e aceitar o dom da salvação divina (At 16.30,31).

3. A fé ativa. Depois que aceitamos a Cristo, alcançamos uma fé duradoura, ou seja, uma crença firme e resoluta em Deus. Mediante esta, permanecemos confiando em Deus independente das circunstâncias. A fé viva impede-nos de sermos vencidos pelas provações (2Co 4.13).

4. O dom espiritual da fé. É outorgado à igreja de forma sobrenatural como apraz ao Espírito Santo (1Co 12.9). Esta fé manifesta-se na igreja através de milagres, curas e outras demonstrações de poder do Espírito de Deus. É a fé divina mediante um dos dons do Espírito, operando no homem.

5. O fruto da fé (fidelidade). Diferente do dom, esta fé cresce dentro de nós (2Co 10.15; 2Ts 1.3). Jesus mencionou-a em Marcos 11.22: “Tende fé em Deus”. Esta é a fé revelada num caráter íntegro e santificado segundo a Palavra de Deus.

6. A fé como crença. Aquilo que é crido ou o conteúdo de uma crença é chamado de fé pessoal: “E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé” (At 6.7 — grifos meus). Em outras palavras, estes sacerdotes aceitaram a doutrina do evangelho; que passou a ser a sua fé; seu modo de crer em Deus.

 

II. OS SIGNIFICADOS DE FIDELIDADE

 

1. No Antigo Testamento. É esclarecedor estudar os sentidos da palavra fiel no Antigo Testamento. Em Números 12.7, pode significar “construir, apoiar, tornar firme, estar permanentemente fundado, confiar, ser verdadeiro, estar plenamente certo de algo”. Em Deuteronômio 32.20, é usada numa frase negativa tratando de lealdade. Êxodo 18.21 fala de nomear homens de verdade (“confiança”). Através destes exemplos, constatamos que a ideia principal de fidelidade no Antigo Testamento está relacionada à confiança, firmeza e convicção.

2. No Novo Testamento. A palavra fé, no original do NT, significa plena persuasão ou certeza fundamentada no ouvir (Rm 10.17). Já em Mateus 23.23, está relacionada à confiança ou fidelidade.

É interessante observar que Jesus enfatizou ser a verdade e digno de toda confiança, ao introduzir suas declarações no Evangelho de João com a frase “na verdade, na verdade”, “em verdade, em verdade”, “digo-lhes a verdade” (Jo 1.51).

Assim, o fruto da fidelidade abrange as ideias básicas de integridade, fidelidade, lealdade, honestidade e sinceridade.

 

III. A FIDELIDADE DE DEUS

 

A fidelidade é um atributo da Trindade. Deus Pai é fiel (Dt 7.9; 1Co 10.13); o Senhor Jesus é chamado “Fiel e Verdadeiro” (Ap 19.11); e o Espírito Santo tem o mesmo atributo (fidelidade) (Gl 5.22 — ARA).

Consideremos alguns testemunhos mencionados pela Bíblia acerca da fidelidade de Deus.

1. Deus se veste de fidelidade. A fidelidade faz parte da natureza pessoal de Deus (Is 11.5 — ARA).

2. Deus é fiel no cumprimento de suas promessas (Hb 10.23). A Bíblia está repleta de promessas que nos foram concedidas por Deus (2Pe 1.4). Se Deus lhe prometeu algo, reivindique pela fé e oração, porquanto Ele é fiel. Ler 2Tm 2.13b.

3. Deus é fiel para perdoar. Temos esta palavra segura em 1 João 1.9. O perdão de Deus não se fundamenta no que sentimos, mas em nossa convicção de que Ele cumprirá sua Palavra (Ne 9.17).

4. Deus é fiel em nos chamar. Deus nos chama para a salvação e serviço (Mt 4.18,19); a conhecer seu plano e vontade para nossa vida, como fez com Samuel (1Sm 3.10,11); a sermos santos (1Co 1.2). Breve vem o dia em que Ele nos arrebatará deste mundo para encontrá-lo nos ares, de acordo com sua promessa (1Ts 4.13-17).

 

IV. OS PRINCÍPIOS DA FIDELIDADE

 

Há alguns princípios importantes relacionados à fidelidade, os quais precisamos considerar neste momento. Estes devem moldar o estilo de vida do cristão e nortear seus relacionamentos.

1. A fidelidade e o amor. Em Gálatas 5.6, lemos: “A fé que atua pelo amor” (ARA). A fé, como fundamento, requer amor para expressar-se e manter-se ativa. Da mesma forma que os cônjuges demonstram seu amor um pelo outro mediante a fidelidade, provamos o nosso amor a Deus por meio da fidelidade à sua Palavra e à sua vontade.

2. A fidelidade e o sofrimento. A fidelidade na vida do crente inclui sofrimento por Cristo e com Cristo. Sob este aspecto, a fidelidade está estreitamente associada à paciência (Hb 6.12). A Epístola aos Hebreus foi escrita em tempos de violenta perseguição. Em tais circunstâncias, esta virtude é realmente provada. O fruto espiritual da fidelidade capacita-nos a suportar qualquer circunstância.

3. A fidelidade e os votos (Ec 5.5). O fruto da fidelidade está relacionado à moral e à ética cristãs, estabelecendo um padrão bíblico de responsabilidade com as palavras e as atitudes. Houve um tempo em que a palavra de um homem selada por um aperto de mão tinha grande valor. Embora isso não ocorra em nossos dias, a palavra do servo do Senhor não deve mudar, porquanto o fruto da lealdade, honestidade e sinceridade está nele.

4. A fidelidade e a lealdade. O fruto da fidelidade torna-nos leais a Deus e a todos que nos cercam. O homem leal apoiará o correto quer esteja sendo observado, quer não (Mt 25.14-30). Nesta passagem, os servos fiéis agiram de acordo com a instrução de seu senhor, apesar da ausência deste, e foram elogiados e recompensados. O servo infiel foi castigado.

5. A fidelidade e a consistência. Muitas pessoas sentem o peso da culpa por sua inconstância; nunca conseguem terminar um projeto: realizar o Culto Doméstico, devocionais, ler toda a Bíblia durante o ano, pagar o dízimo do Senhor, etc. Tomar decisões acertadas, e não mantê-las, é um tipo de deslealdade. Um autêntico cristão é fiel na frequência à igreja, no cumprimento de seus compromissos e em seus tratos, e isso inclui deveres, dívidas, empréstimos, prazos, etc.

6. A fidelidade na mordomia cristã. O fruto do Espírito quanto à fidelidade é essencial no ministério evangélico (2Tm 1.14; 1Co 4.2). Nesta última passagem, o que significa o “Bom Depósito” confiado aos cuidados dos mordomos de Deus? Primeiro, é nossa responsabilidade partilhar o Evangelho de Jesus Cristo com os outros (Lc 12.42). Devemos ser fiéis aos ensinos da Bíblia (1Co 4.6). Este tipo de fidelidade inclui a administração do tempo, dos talentos e das posses, pois, tudo é do Senhor.

 

CONCLUSÃO

 

A fidelidade como parte do fruto do Espírito é imprescindível ao cristão em seu relacionamento com Deus, com os outros e consigo mesmo.

Através da fidelidade, tornamo-nos diferentes dos outros que não temem a Deus. O Senhor está procurando os fiéis para andarem com ele e servi-lo (Sl 101.6).

 

VOCABULÁRIO

 

Cotidiano: De todos os dias; diário; normal.
Inabalável: Que não se abala; firme; fixo; estável.
Outorgar: Conceder; dar; conferir; consentir.
Persuasão: Convencimento; convicção; certeza.
Talento: Aptidão natural; habilidade adquirida.

 

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

 

CABRAL, Elienai. Abraão: As experiências de nosso pai na fé. CPAD, 2002.

 

EXERCÍCIOS

 

1. Quais são os seis tipos de fé mencionados na Bíblia?

R. Fé natural, salvífica, ativa, dom espiritual, fruto do Espírito e crença.

 

2. A que palavras a fidelidade está relacionada no Antigo Testamento?

R. Confiança, Firmeza e convicção.

 

3. O que significa a palavra fé em Romanos 10.17?

R. Plena persuasão ou certeza fundamentada no ouvir.

 

4. O que a Bíblia nos fala acerca da fidelidade divina?

R. Deus é fiel no cumprimento de suas promessas, para perdoar e nos chamar.

 

5. Cite alguns princípios relacionados à fidelidade que devem moldar o estilo de vida do cristão.

R. Amor, sofrimento, votos, lealdade, consistência, mordomia cristã.

 

AUXÍLIOS SUPLEMENTARES

 

Subsídio Bibliólogico

 

“Fé e paciência são dois ingredientes inseparáveis para se tomar posse das promessas de Deus. A fé nas promessas de Deus e o estímulo para as conquistas dos nossos sonhos, especialmente, quando esses sonhos estão de acordo com a vontade de Deus. Abrão já havia dado passos gigantescos na direção da vontade de Deus. Ele havia aprendido a importância do caminho da obediência para a verdadeira felicidade, mas não pôde evitar as circunstâncias desse caminho. Fragilidade e fé são termos opostos na nossa peregrinação espiritual. Por natureza somos frágeis e suscetíveis às intempéries da vida. A fé é o elemento espiritual que nos capacita a reagir nos momentos de fraquezas. Abrão já havia vencido grandes reveses e, agora, depois de haver chegado à Terra Prometida de leite e mel não poderia deixar-se ofuscar pelo desânimo. Porém, se depara com uma terra seca e vazia, onde a fome se espalhava entre os seus habitantes. Esse caos na terra de Canaã ia de encontro à promessa de uma terra de ‘leite e mel’; um tempo de provações que expôs toda a fragilidade emocional de Abrão. Na vida cristã, quando empreendemos andar no caminho da fé, não imaginamos encontrar as dificuldades e adversidades desse caminho” (CABRAL, Elienai. Abraão: As experiências de nosso pai na fé. RJ: CPAD, 2002, pp.27,28).